generalidades

o renascimento do parto

Eu ainda não sou mãe. Pelo menos, não no sentido biológico do termo, porque tenho dois enteados que eu amo e de quem cuido como filhos.

Desde 2009 acompanho blogs que falam de crianças e de maternidade. Começou pelo meu interesse em assuntos infantis, nas descrições que as mães faziam das descobertas dos filhos, da rotina com os filhos, do crescimento dos filhos, essas coisas. Um blog puxa o outro, eu vou acrescentando todos nos feeds, depois faço a seleção de quem fica e, dessa peneira, os que mais gosto de ler são três: Cientista Que Virou Mãe, da Ligia; Balzaca Materna, da Dani (ambos de mulheres que moram aqui em Florianópolis); e Potencial Gestante, da Luíza e do Hilan (porque não há quem resista àquele Benjamin, e aqui em casa até o Rafofura fica esperando os novos vídeos do Benjoca).

O blog da Ligia foi o que mais me fez pensar a respeito da maternidade desde antes do nascimento. Os textos dela me fazem pensar na gestação, no parto, na amamentação, no cuidado, no apego – até o conceito da cama compartilhada eu aceitei rever depois de tantos textos, sempre com embasamento teórico e empírico, que eu li no blog dela. A Dani escreve sobre o processo de maternagem dela com uma lucidez e uma sinceridade que são lindas e tocantes. Com reflexão, autoavaliação e uma dose de ativismo também.

E me tornei assim uma espécie de defensora do parto normal e respeitoso (com o filho ao lado da mãe logo após o nascimento), a ponto de ler algumas indiretas em links que eu posto na minha página do facebook de gente que acha que eu tenho falado demais nisso. Eu não sou contra o parto cesáreo. Sei que ele pode salvar vidas. Mas sei que ele é um caso extremo e deve ser usado e recomendado com parcimônia. Mas esse não é um pensamento novo meu, que veio agora, com essas leituras. Isso eu já tinha pra mim. O que veio agora foi a consciência do quanto esse direito natural (das mães e dos bebês) não tem sido respeitado. A consciência da violência a que as mulheres são submetidas num dos momentos mais especiais de suas vidas. Da solidão em que elas são abandonadas numa hora em que precisam de apoio, carinho e cuidado. Da violência contra os bebês que são levados para longe de suas mães, que recebem complemento alimentar (soro, água glicosada ou sei lá o que) que vai acabar prejudicando o processo de amamentação mais à frente.

E não é porque eu ainda não pari que eu não tenho o direito de lutar por isso. Porque eu não quero que apenas o MEU parto seja respeitado. Eu quero que todos sejam. Eu respeito a decisão das mães por escolher a via de parto de seus filhos. Mas defendo igualmente que elas conheçam as consequências de suas escolhas (infelizmente, o filho, que também participa ativamente do processo, não pode fazer a sua escolha). Porque as mentiras que são ditas para iludirem e convencerem as mulheres a agendarem seus partos conforme a conveniência médica não são brincadeira não.

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E na semana passada eu assisti ao lindo documentário O Renascimento do Parto. Que tem que ser divulgado, exibido e assistido por aí. O documentário em si nem me trouxe muita informação nova, porque venho lendo e acompanhando essa discussão há um bom tempo – e o filme precisa passar seu recado em uma hora e meia. Mas ele transmite a sua mensagem lindamente. Vai ser muito esclarecedor para quem se interessar por esse assunto. Os relatos do filmes emocionam muito. E sinceramente? Acho que a hora de a mulher se informar sobre parto e maternidade é antes de ter filho mesmo. Muitas mulheres só vão atrás de informação depois de sofrerem algum tipo de violência – e aí ficam com um arrependimento para o resto da vida, com aquela tristeza por saber que o nascimento do filho foi desrespeitado de alguma forma.

Esse é um assunto que tenho acompanhado com interesse há um bom tempo, porque o momento da minha maternidade biológica se aproxima. Eu não tenho como prever como será. Mas espero ter informação suficiente para fazer as escolhas certas, assim como espero ter minhas escolhas respeitadas.

Aqui, o trailer do documentário:

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