generalidades

on the turning away

Sobre o jogo de ontem, vários sentimentos me ocorreram. Neste momento, penso nas crianças que sofreram, desapontadas por ver o time para o qual torciam perder. Tantos futuros torcedores que vão se desempolgar com o esporte, porque vão associá-lo à tristeza que sentiram com essa semifinal.

Eu sei que a minha história com o futebol está ligada às vitórias que eu acompanhava quando criança. Assisti à Copa de 1994 (eu ainda não tinha feito 12 anos) e me lembro até hoje da euforia que senti assistindo ao chute do Baggio por cima da trave. A partir daí, passei a acompanhar os jogos da Seleção, por causa desse evento mundial e do título que o Brasil ganhou nesse ano. Aquela sensação de torcer e ver meu time ganhar me fez amar o esporte. Por isso, na Copa de 1998, fui uma torcedora fanática, certa de que veria meu time ganhar novamente. Quando vi, antes de a partida terminar, que o Brasil perderia o jogo final para a França – e o título – saí de casa desolada, chorando, e fui para a praça central da cidade em que eu morava, chorar com todos os outros brasileiros que estavam tristes como eu, que lamentavam a derrota, como eu lamentava.

Em 2014 está sendo bem diferente. Havia muita gente torcendo contra a nossa seleção, misturando esporte com política e outras chatices do gênero. Então, perdeu-se o chorar junto, o compartilhar a dor, o nos ampararmos coletivamente por um luto que seria nacional. São muitos os brasileiros comemorando o placar de ontem, espezinhando quem sofreu e sofre com a derrota. As redes sociais mudaram a forma de as pessoas expressarem sua opinião (até mesmo a forma como as pessoas formam suas opiniões, mas isso é uma outra história). As redes sociais, especialmente o facebook, parecem pôr em destaque o sádico que habita tantas pessoas. São muitas desejando o sofrimento alheio e comemorando-o abertamente, sem o menor constrangimento de rir da tristeza de seus compatriotas. Tem gente que está tão acostumada e confortável no papel de criticar o país, que fica desejando que o pior aconteça, o tempo inteiro, em qualquer área, para justificar e alimentar a raiva que sente.

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