generalidades

amor (e saudade) em forma de comida

Acabei de reler um post da Dadivosa, delicioso, e fiquei pensando nas minhas comidas memoráveis (não as que eu fiz, as que eu comi). Naquilo que tem gosto de  infância, que aguça a memória e a nostalgia.

Primeiramente me lembrei do que chamávamos lá em casa de musse de ovo. Era um doce de passar no pão – chimia, diziam lá em Brusque pra esses doces – feito de ovo e açúcar, na frigideira. O problema foi que eu descobri, depois de adulta, que isso é feito com muuuuito açúcar. Então eu não tenho coragem de preparar aqui em casa. Fico na saudade (mas um dia vai ter que rolar, né?).

A segunda coisa em que eu pensei foi na polenta com queijinho que meu vô Pedro, um “italiano” típico, cheio de marra, preparava à noite. Ele fazia a polenta com consistência mais endurecida, que eu adorava comer de colherinha enquanto esfriava, raspando as beiradinhas na travessa. E o acompanhamento era outra mistura de ovo, esta salgada, com queijo, que ficava divina. Polenta era comida de todos os dias na casa do meu vô, então eu a comia assim, com queijinho; comia picadinha com leite, de colher; comia uma versão doce, também com leite; comia pura, sem nada. Enfim, sou apaixonada por polenta até hoje.

Uma terceira coisa é o que a minha vó Maria chamava de fatia dourada e não é nada mais nada menos do que a famosa rabanada do Natal, que nós comíamos em qualquer época do ano. Ah, vai dizer que fatia dourada não é beeeeem melhor do que rabanada? Eu só descobri que uma coisa e outra eram a mesma muito tempo depois.

Outra coisa ainda é o suflê de milho (creme, na verdade) que a minha mãe fazia. Engraçado eu ter saudade disso, porque quando eu era criança eu nem gostava. E os bolinhos de banana (bolinho de chuva recheado) da minha mãe; as fatias de mortadela e queijo aquecidas na frigideira, feitas pelo meu pai; os pães caseiros que eles preparavam e nos deixavam fazer bonecos e bichinhos com a massa, para assar (aqui não é o gosto que conta, mas a experiência).

Eu pensei nessas comidas primeiro, porque são coisas que eu não como mais, com exceção da rabanada, que não é incomum (mas nunca mais a legítima fatia dourada da minha vó). Só que tem outro sabor de infância que, felizmente, eu ainda consigo provar bastante: a cuca de banana da vó Idalete. Legítima cuca de Brusque, não tem comparação com essas coisas com massa de bolo e uma farofinha rala que chamam de cuca aqui em Florianópolis. Quando eu vou a Brusque ou tem alguém próximo na família que vem pra cá, ela sempre faz cuca pra mim. <3 Falar nas comidas da vó Idalete é até sacanagem, porque ela foi boleira e doceira a vida toda, então são muitas as comidinhas pra lembrar e dar água na boca.

Amor em forma de comida a gente não esquece – do gosto, do cheiro, da vivência.

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