generalidades

madrasternidade #1

Eu tenho dois enteados. Que eu amo – demais. Amo como dois filhos meus. E eu os amo assim por (entre outras razões, claro) já ter recebido um amor assim. Então, eu amo pelo exemplo. Já me disseram que eu “os amo demais”. Que eu me preocupo demais, cuido demais. “Tudo bem gostar dos filhos do teu marido, mas precisa ser tanto?” Alguém ser censurado por amar muito (duas crianças, vê bem) deve ser sintoma dessa época de intolerância que estamos vivendo, né? Alguém acreditar que deva ter limite pra amar, tratar bem, ser gentil, cuidadoso e preocupado com duas crianças me parece um bocado estranho. Eu não vou colocar um limite no meu amor, e se eu quisesse fazer isso seria um fracasso, obviamente, pois as pessoas não escolhem não amar ou quanto amar – ama-se e pronto. Quando recebo de volta o carinho deles, o abraço afetuoso e as palavras de amor é que eu vejo que não, não tem nada de errado em amá-los muito, não pode mesmo ter. É possível que um dia eu tenha filhos também. Como eu poderia querer que na minha casa houvesse filhos mais amados (os meus) e menos amados (os não meus)? Na minha casa todo mundo recebe amor. Na minha casa não pode ter mais filho ou menos filho por ser cria de um só ou do casal. Amá-los menos só porque “não são meus” (biologicamente) seria injusto com eles e com a minha história de família e acolhimento. É por isso que a única alternativa possível é amá-los mais. Não tem outro caminho.

Fotos: Urubici, Serra Catarinense, julho de 2014. 

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3 comentários em “madrasternidade #1

  1. Vivemos tempos bens estranhos. Eu também não entendo essa ideia do “não é meu, então tem que ter controle de amor, de atenção, de carinho, de cuidado.”
    Ainda bem que você age com os meninos como seu coração manda, de forma natural. Todos saem ganhando. Os irmãozinhos menores – que um dia virão – serão cercados de amor.

    E esse controle não é somente com os filhos, parece ser um sentimento repetido em outras esferas. A rua não é minha, então tanto faz se eu deixar este lixo aqui. Este texto não é meu (mas de um colega) então pra que que eu vou corrigir esta vírgula errada que acabei de notar… e por aí vai. Outro dia um amigo estava levando o filho para o colégio numa dessas bicicletas elétricas. Um desavisado resolveu sair de um estacionamento – a pé – bem na hora. Chocaram-se. A bicicleta bateu, todos foram ao chão. Perguntei ao meu amigo (moço educado e de bom trato) se o atingido pela bicicleta tinha se machucado: “E eu vou saber, estava preocupado se o meu filho tinha se machucado, do mané que se meteu na minha frente eu nem quis saber”. Acho que estamos assim, egoístas, olhando apenas para nosso umbigo, achando que os outros estão ali para nos incomodar (ou servir, numa outra hipótese).
    Ai, acho que até fugi do tema, mas é que ando tão incomodada com o egoísmo – meu e dos outros.

    Bj

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    1. Mas é isso mesmo, Rafa. E não estamos isentos de atitudes que depois questionamos – “precisava mesmo ter agido assim / dito assado?”. É complicado. Eu tenho tentado muito ser uma pessoa melhor, mais paciente, menos reclamona. Eu tenho bastante empatia pelas pessoas de modo geral, quero sempre ajudar, ser solícita, mas basta ver alguém egoísta, mandão ou arrogante, por exemplo, que eu já fico com raiva. E esse sentimento me faz mal. É bom que o egoísmo – dos outros ou nosso – incomode mesmo. :)
      Beijão.

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