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Viagem ao Fim do Mundo: a caminho de Ushuaia (Buenos Aires)


Clica aqui para ler outros textos da nossa viagem a Ushuaia.


Finalmente vai sair um post com texto sobre Ushuaia, o primeiro destino da Patagônia que eu conheci. Tenho algumas viagens e alguns passeios que eu queria registrar aqui e nunca fiz post, desde 2011 (!). Vou me esforçar para registrar mais esses acontecimentos, que são tão esperados e especiais. Mas, por enquanto, vou me concentrar nessa viagem, que a gente fez em fevereiro deste ano. Vou dividi-la em alguns posts. Selecionei muitas fotos, e quero contar sobre os passeios com um pouco mais de detalhe, então é melhor quebrar os textos pra não ficarem posts muito grandes.

Este primeiro post não é sobre os passeios, mas sobre a preparação da viagem, o câmbio e a passagem obrigatória por Buenos Aires. Nossa viagem surgiu quando vi promoção de passagem aérea para Ushuaia. Como a viagem que fiz pra Portugal no ano passado (que ainda não ganhou um post pra si), a promoção era com saída de São Paulo, ou seja: eu teria que comprar separadamente a passagem FLN-GRU. Isso é bastante arriscado, porque significa que o meu voo de Florianópolis para Guarulhos não era conexão. São dois os maiores problemas nesse caso: se o meu voo de Florianópolis atrasasse e não me deixasse chegar a Guarulhos a tempo de embarcar pra Argentina, eu teria perdido esse segundo voo por no-show. Teria que me virar e comprar outra passagem lá, na hora (imagina o custo).

O segundo problema, que não foi problema pra nós, e já explico por quê, é que dessa forma a franquia de bagagem seria nacional. Se o voo fosse conexão, eu já poderia sair de Florianópolis com a quantidade de malas/peso de um voo internacional, mas não foi o nosso caso. Além disso, chegando a Guarulhos tínhamos que recolher nossa bagagem e despachá-la novamente – quando os voos são conexão, geralmente se despacha a bagagem no primeiro aeroporto e ela é recolhida apenas no destino final. Acontece que a gente acabou optando por não despachar bagagem. Assim, não corríamos o risco de perderem nossa bagagem entre os voos e não perderíamos tempo em GRU esperando mala na esteira e tendo que despachá-la novamente antes do embarque pra Buenos Aires. Assim, nos concentramos em descer do avião que veio de FLN e ir direto pro embarque pra EZE, com uma mochila cada um e uma malinha de bordo.

Não foi difícil fazer uma mala pequena pra nós dois. Que eu me lembre, só tive que abrir mão de levar os bastões de trilha, pois não poderia entrar com eles na aeronave, e tive que comprar um desodorante roll-on, pois não poderia embarcar com spray. De resto, calculei bem as roupas que eu estava levando e ainda voltei com coisas sem usar. A nossa hospedagem não foi em um hotel, foi um departamento, um apartamento bem pequeno com quarto, cozinha e banheiro. Algumas peças de roupa eu lavava no banho mesmo, tinha espaço pra deixar secar, e assim podia usá-las dois dias depois – é por isso que eu quase não mudo de roupa nas fotos, ahahaha. Olha, valeu muito a pena. Agora eu só quero viajar assim, com pouca coisa, pouco peso e, sempre que puder, sem despachar bagagem. É libertador!

Então, voltando à questão da programação da viagem: eu tinha a promoção para Ushuaia saindo de GRU e comprei o trajeto FLN-GRU com milhas. Só que o trajeto São Paulo – Ushuaia tinha uma quebra. Em Buenos Aires, a gente desceria em um aeroporto (Ezeiza) e embarcaria para Ushuaia em outro (Aeroparque), com umas 18 horas de intervalo entre os voos. Resultado: teríamos que trocar de aeroporto e dormir em Buenos Aires na véspera da ida pra Ushuaia. Não recomendo muito não. O problema nem foi ter que dormir uma noite em Buenos Aires, porque estar lá é sempre legal. O problema é essa troca de aeroporto. Tudo bem que eu comprei a passagem em promoção e acabei sujeita a isso, mas no fim, deve-se calcular tudo o que está envolvido pra ver se vale mesmo a pena. Na ida foi mais tranquilo, a volta é que foi bem chata e o trajeto mais complicado (explico mais pra frente). A gente chegou a Ezeiza às 14h20 de terça e sairia pra Ushuaia às 4h40 de quarta. Então eu recomendo que se tente pegar um voo pra Buenos Aires que desembarque no Aeroparque, sem passar pelo Ezeiza, já que o voo pra Ushuaia é nacional e sai (pelo menos a maioria) do AEP.

Dicas pra quem descer em Ezeiza e precisar fazer o traslado para Buenos Aires

A gente economiza onde pode, em viagens e no dia a dia. Então, não queríamos ir de Ezeiza pra Buenos Aires de táxi nem de remis. O Jr. pesquisou bastante e descobriu um serviço ótimo, que eu recomendo muito. Ele se chama Aerobus. Eu olhei o site deles agora para colocar o link aqui, e não tem quase nada de informação. Mas não tem problema. Se quiseres usar o serviço (recomendo muito!), pesquisa sobre ele na internet que tem um monte de textos em blogs explicando. Vou dizer o que eu puder aqui, pra ajudar.

Em primeiro lugar: não era um serviço que as pessoas lá no aeroporto conhecessem. A gente perguntou, perguntou, muitos não conheciam, outros nos davam informações desencontradas. Estávamos a ponto de desistir. Mas um taxista foi muito bacana e nos explicou onde deveríamos esperar a van. É preciso sair do aeroporto e caminhar um pouco. Saindo do Ezeiza, vira pra direita, na direção de um posto Petrobras que tem ali na frente. As vans do Aerobus param quase na frente do posto. Tem um ponto de ônibus ali, a parada da van é um pouquinho depois, ao lado – não tem um ponto pra ele nem indicação nenhuma, não me parece ser um serviço “oficial”, mas é só ficar ali e aguardar. São vans brancas com um adesivo em laranja na porta (um quadrado ou retângulo laranja com um recorte em formato de avião dentro). Os horários eram de meia em meia hora (15h15, 15h45, 16h15…). O custo em fev/2015 era de 36 pesos para passageiros sem bagagem, e agora em abril está 50 pesos. O motorista nos disse que chegaríamos a Buenos Aires em uma hora, mas demos sorte, não pegamos trânsito e chegamos em meia hora. Foi muito melhor do que esperávamos. A parada final da van é na Avenida Belgrano (perto do Obelisco, da Casa Rosa e da Florida). Descemos ali e caminhamos 10 minutos até a Boston Cash onde faríamos o câmbio. Não pudemos usar esse serviço na volta pra casa porque ele não funciona aos domingos.

Aliás, pra voltar no domingo foi bem mais complicado. A gente chegaria ao Aeroparque de manhã e o voo de volta sairia de Ezeiza bem no fim do dia, o que significava que tínhamos muito tempo, mas não precisaríamos ficar em hotel de novo. Dessa forma, pesquisamos transporte público para ir a Ezeiza, assim conheceríamos um caminho diferente e ocuparíamos nosso tempo, em vez de ficarmos o dia todo dentro do aeroporto.

Anotamos várias linhas de ônibus, trem e tal, mas na hora de pedir informação ficou difícil, as pessoas simplesmente não sabem como ir de Buenos Aires a Ezeiza sem ser de táxi ou remis. No fim, conseguimos chegar, contamos com a ajuda de algumas pessoas, mas o trajeto era tão longo que paramos num lugar e terminamos o traslado de táxi (foi bem pouco). Então a coisa foi tão complicada que eu nem consigo mais explicar aqui, pois teve muito improviso. Ah, outra coisa muito importante: em Buenos Aires, quem pretende pegar ônibus tem que saber que eles só aceitam moeda ou o cartão de transporte para o pagamento da passagem. Quando não tínhamos moedas demos sorte, pois pagamos o valor da passagem para moradores da cidade e eles passaram seus cartões pra gente. Viva a gentileza e a boa-vontade das pessoas.

Câmbio em Buenos Aires

Pesquisamos muito sobre esse assunto na internet, para escolher um lugar seguro para fazer câmbio na Argentina. Já sabíamos que precisávamos fazer o câmbio em Buenos Aires, pois trocar moeda em Ushuaia é mais desfavorável. Nós levamos alguns pesos e alguns dólares do Brasil. Alguns dólares nós trocamos em Bs.As. e alguns nós deixamos como garantia. Se não gastássemos tudo, era melhor voltar com dólar do que com peso. E se precisássemos usar tudo, sabíamos que também aceitariam dólar em Ushuaia (para pagamento direto nas empresas, e não câmbio).

Muitos, muitos sites e viajantes recomendaram fazer o câmbio no Boston Cash, na Calle Florida. Não é uma casa de câmbio oficial, mas as recomendações eram positivas. Pesquisamos e encontramos no facebook uma página que dizia ser deles. Trocamos mensagens, eles nos informaram o câmbio e combinamos de trocar a moeda ao chegarmos lá. Aí eles me perguntaram como faríamos o traslado e ofereceram esse serviço, por um preço razoável. Dessa forma, nos deixariam no hotel e não precisaríamos ir à Florida fazer o câmbio, trocaríamos a moeda com eles na hora do transfer.

Aí uma luzinha aqui acendeu: e se essa página for falsa e essas pessoas estiverem só se passando por uma empresa de confiança, mas nada tivessem a ver com a Boston Cash? Falei do meu receio com o Jr, que estava mais tranquilo do que eu e disposto a continuar a negociação. Mas eu não fiquei tranquila. E, por fim, ele também achou que corríamos risco. Eu achava que era alta a chance de isso ser uma fraude. Então disse a esse pessoal da página que iríamos a Buenos Aires de outra forma e nos dirigiríamos à Boston Cash pra fazer o câmbio diretamente lá com “eles”. Aí a pessoa disse que eles não estavam mais naquele endereço. Bingo! Era uma fraude mesmo. Quando chegamos à Boston Cash eu comentei sobre essa página e perguntei se era deles. O cara confirmou que não. Disse que eles não têm site, fanpage nem divulgam nenhum e-mail ou telefone. É tudo presencial, e que isso eram pessoas se passando por eles, como eu suspeitava. E a pessoa com quem conversei pelo facebook era claramente brasileira. Deixo esse relato para alertar outras pessoas que passarem por uma situação parecida.

Sobre os preços em Ushuaia: estava tudo acima do esperado. Pesquisamos preços na internet informados por pessoas que tinham ido pouco antes da gente. Sabendo que iríamos na alta temporada, já consideramos os preços um pouco mais altos na hora de calcular a grana que levaríamos. E levamos um pouco extra, em dólar, por garantia. Isso salvou nosso último passeio (e ainda completamos o valor com cartão de crédito). A gente sabia que os valores seriam atualizados, mas não esperávamos que subiriam tanto em tão pouco tempo. Por isso eu nem vou dizer aqui quanto pagamos nos passeios. Recomendo que se pesquise as empresas e se faça contato com elas pedindo informações e valores antes da viagem. Eu informarei os nomes das empresas que contratamos.

Hotel perto do Aeroparque

Escolhemos ficar no Hotel Koten, em Palermo, um hotel com acomodação bem simples, mas com bom preço e bem localizado. Links para o Booking, onde fizemos a reserva, e para o TripAdvisor, onde é possível ler as avaliações de hóspedes. Valeu a pena ter ficado no hotel pra essa passagem rápida e para estarmos bem localizados. O Subte (metrô) passa bem pertinho – a parada é na estação Plaza Italia. Dali, caminha-se um pouquinho pra chegar ao hotel. Demos uma caminhadinha à tarde, lanchamos no Madagascar, ali em Palermo mesmo (detestei a comida e também não gostei muito do atendimento), e depois tomei sorvete do Fredo, que é sempre bom. :)

De madrugada, pegamos um táxi para o aeroporto, que não saiu tão caro por já estarmos relativamente perto. ~ Abaixo, duas fotos da nossa bagagem e uma foto que fiz assim que cheguei a Buenos Aires (o Boca Juniors tinha vencido o seu arquirrival River Plate na noite anterior por cinco a zero, ahahaha). Clica nas fotos que elas aparecem em tamanho maior. Colocar o mouse sobre elas mostra a legenda.


Mais posts sobre Ushuaia.

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7 comentários em “Viagem ao Fim do Mundo: a caminho de Ushuaia (Buenos Aires)

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